Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Uruçu, Brasil

Acabo de retornar de Uruçu, um distrito rural pertencente a São João do Cariri, na região central da Paraíba. São João tem 5.000 habitantes, e Uruçu tem 200. Passei 2 semanas por lá. O motivo é meu trabalho de "Lideranca de Processos", referente ao terceiro semestre da Kaospilots. Devia criar e facilitar um processo para um grupo de pessoas, aplicando os métodos, teorias e ferramentas aprendidos no curso (principalmente nesse 3o.semestre). Meu cliente é a Fundacão CERTI, de Florianópolis, e o público-alvo foi a comunidade envolvida no Projeto Água, moradores de Uruçu.

Coloquei as fotos online: http://flickr.com/photos/vedana/sets/72157603064348613/


Um projeto de sustentabilidade

O projeto Água, sendo executado pela Fundação CERTI, e as Universidades Federais de Santa Catarina (Laboratório de Hidroponia) e Campina Grande (Laboratório de Dessalinização), com o patrocínio da Petrobrás, prevê uma solução sustentável para o semi-árido: água, alimento e renda para algumas das áreas mais carentes do país. Esse projeto é um piloto que poderá ser replicado em diversos locais, caso dê certo.

O sub-solo do semi-árido Nordestino é rico em água, mas na sua maioria contém grande quantidade de sais. Existem equipamentos para remover a água potável dos sais, mas o sal jogado de volta ao solo causa um impacto ambiental muito grande, tornando a terra improdutiva. A sustentabilidade em questão é utilizar de alguma forma esse sal, dentro de uma cadeia produtiva. Existem algumas iniciativas e pesquisas na região utilizando essa água excedente, mas apenas parcialmente.

O diferencial do projeto Água é a proposta de utilizar essa água salgada para cultivar verduras em estufa, através da hidroponia, piscicultura de tilápias e a espirulina, uma micro-alga rica em proteínas e minerais, utilizada como complemento alimentar, atualmente sendo importado no Brasil. Com essas três culturas em pleno funcionamento, prevê-se a capacidade de absorsão total da água salgada, tornando o processo sustentável do ponto de vista ambiental.

No ponto de vista econômico, a comunidade teria um aumento na qualidade de vida, a partir do consumo desses produtos, e de sua venda ao mercado local e regional. Como a comunidade é composta na sua grande maioria de agricultores de subsistência, essa renda e trabalho pode provocar um salto qualitativo na comunidade, que se enche novamente de esperanças e aspirações.

Ainda no ponto de vista social, o projeto se concretizará numa cooperativa em que a comunidade será responsável por gerenciar, trazendo uma nova dinâmica de trabalho em comunidade, com empreendedorismo e trabalho em grupo, pelo grupo.

Dilemas de desenvolvimento e trabalho com comunidades

A Fundação CERTI tem trabalhado nos últimos seis meses com a comunidade de Uruçu, de forma a sensibilizá-los e capacitá-los para o trabalho, de forma a ganhar a confiança deles (de que esse projeto é sério e não outra promessa de político). Entretanto, para que a comunidade sinta-se empoderada e considere o projeto "deles", com capacidade de gestão, capacidade de tomar decisões e agir de forma crítica, um longo caminho precisa ser percorrido, e uma grande mudança cultural se faz necessária. Mais do que isso, é necessário que a cultura dos executores do projeto (Fundação e Universidades) e a cultura local dessa comunidade rural no interior do Nordeste se encontrem, e se entendam. Ou melhor, é necessário que os executadores estejam conscientes das diferencas culturais para que o projeto se adapte à realidade local. Essa "transferência" de liderança sobre o projeto, das mãos dos executores para as mãos dos habitantes de Uruçu, é portanto crucial para o sucesso ou fracasso do projeto.

E eu nessa história?

O mandacaru e eu

Nesse contexto eu entrei no projeto, por curtas duas semanas, com a intenção inicial de trabalhar o comprometimento, trabalho em equipe, papel de liderança e a capacidade de assumir riscos e auto-confiança, com um grupo de 22 pessoas de Uruçu. Essas pessoas são as mais engajadas nos cursos que estão sendo ministrados nessas últimas semanas, e naturalmente espera-se que elas assumirão maiores responsabilidades na gestão da futura cooperativa.

Depois de participar numa reunião quinzenal do projeto, marquei as datas dos meus 3 encontros com eles, num total de 6 horas. Aproveitei os primeiros dias para fazer observações, visitas e conversas, muitas conversas com os moradores, desde crianças e adolescentes que já começam a querer se envolver no projeto, até o Zé Cazuza, de 93 anos, a pessoa mais idosa do local, com sua lucidez e seus causos. Os 3 encontros foram um sucesso imediato, pela reação dos participantes, o feedback do cliente, e a minha própria sensação de dever cumprido. Resta saber sobre a continuidade e aplicação no dia-a-dia do projeto.

Me avisaram que me encantaria com as pessoas do agreste nordestino, e tenho que confirmar que é incrível a generosidade, a bondade e a alegria que encontrei por lá, pessoas com histórias incríveis (e difíceis), que vivem 7-8 meses por ano sem chuva, com sol de 40C e sem empregos. O descaso das autoridades públicas em todas as esferas é absurdo.

Ao ter entrevistas informais ou durante os encontros, percebi a inteligência e alta capacidade de pessoas aqui na comunidade, algo que enche todos os membros da equipe executora de otimismo e motivação. Por outro lado, esse potencial não está desabrochado, e em muitos casos acaba sendo reprimido e não explorado.

Escreverei mais após o retorno a Porto Alegre. Ainda estou no modo "observador", evitando tirar conclusões muito rápidas e com certeza equivocadas, resultado da minha vida urbana e domesticada (=estudei demais). Ter estado por lá me ajudou a rever várias hipóteses sobre a vida no campo, o papel da educação e a geração de riqueza... chego a dizer que todo o Brasileiro urbano deve um dia sair de sua casa e conhecer o interior do Nordeste, para entender um pouco melhor a complexidade e riqueza cultural e social desse país.

Estou no momento escrevendo o relatório final do trabalho realizado, a ser entregue nessa quarta-feira. Após a entrega, terei 10 dias para me preparar para uma prova oral, a ser realizada via Skype - a defesa da minha atuação em Uruçu.

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Domingo, Setembro 30, 2007

Brasil novamente!

Agora está confirmado, estou voltando ao Brasil em breve, e dessa vez eu fico por 3 meses na velha terrinha!!

Passei os últimos 2 meses procurando e negociando com clientes para meu "trabalho" da Kaospilots: facilitar um processo envolvendo pessoas numa organização, como consultor externo. Nesse semestre estou sendo capacitado em Liderança de Processos, e esse será meu exame individual. Minhas experiências anteriores (principalmente na AIESEC) combinadas com os novos paradigmas que tenho praticado na Kaospilots, me deixa confiante para assumir um desafio de verdade...

Explorei algumas possibilidades em São Paulo e Porto Alegre, e no final meu cliente será uma fundação baseada em Florianópolis. Um de seus projetos envolve a comunidade de Uruçu (veja no mapa), no interior do sertão Paraibano. Uma comunidade de 80 famílias, sem acesso a celular ou Internet, e um grande projeto de desenvolvimento da região. Meu desafio: criar um senso de empoderamento na comunidade de forma a abraçar o projeto e tocar as iniciativas que dele surgirão.

Website do projeto: http://fontedagua.certi.org.br

Em breve escrevo mais detalhes sobre o projeto e meu papel, pois ainda estou negociando detalhes com o cliente!

Estou chegando em Porto Alegre no dia 15 de Outubro, meu projeto deve tomar todo meu tempo entre 20 de outubro e 16 de novembro. Depois disso pretendo aproveitar bem o final da primavera em casa, natal com a família e ano-novo com os amigos, incluindo casórios. Quiçá uma visita a São Paulo... e retorno para a Dinamarca apenas dia 14 de Janeiro!

Vida nômade, sempre... :)

PS: dia 3 de Fevereiro embarco pra Shanghai...

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Quinta-feira, Setembro 27, 2007

O que Fazer desenhos tem a ver com Exercer liderança?

Semana passada tive dois dias de workshop sobre visualização e facilitação de processos com a empresa Dinamarquesa BiggerPicture.dk.

Comecei desenhando palitinhos, depois estrelas, depois sinais gráficos, placas, plataformas, e no final estava até colorindo meus desenhos. Esses dois dias me fizeram lembrar da minha infância, quando eu adorava ler histórias em quadrinhos e queria aprender a desenhar melhor. Agora basta continuar praticando!

My life through AIESEC...

A figura acima conta um pouco da minha vida, como fiz um intercâmbio pela AIESEC no Canadá e como isso me influenciou, minhas atividades na AIESEC Porto Alegre e AIESEC Brasil, meu segundo intercâmbio na Holanda e meu momento atual, na Dinamarca.

Usei para fazer palestras na Univerdade de Århus e na Århus Business School sobre a AIESEC e foi um sucesso, foi MUITO fácil contar minha história em pouco tempo e ter a atenção total dos presentes. Aposto que eles não vai se esquecer tão fácil, e espero que entrem para a AIESEC também!! ;-)

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