Semana 45 – Chat The Planet
Diálogo, valores e liberdade
Nessa semana tivemos um cliente especial: Chat The Planet (www.chattheplanet.com). Não necessariamente se encaixava no currículo, mas teríamos a oportunidade de se envolver em um projeto focado no entendimento cultural, global, entender como a iniciativa privada pode ter alma e buscar algo positivo para o mundo, o “quarto setor” da economia, e aprender um pouco sobre a mídia televisiva, como produzir um programa de TV...
Todd e Karenne vieram de Nova Iorque para simular conosco o processo de seleção de participantes para o show de TV chamado Chat The Planet. Inicialmente produzido na África do Sul, a idéia é usar a tecnologia (vídeo-conferência) e criar diálogo entre grupos de jovens (15-25 anos) de diferentes partes do mundo, sobre temas como racismo, guerra, ativismo e sexualidade. No website www.chattheplanet.com tem clips e shows completos que podem ser assistidos (recomendo!!).
Depois de responder um questionário bem extenso com questões sobre nossa infância, relação com a família, visão sobre preconceitos e esterótipos, opinião sobre terrorismo, etc, fizemos algumas atividades na segunda-feira que realmente dividiram a turma. É bem simples, em cada canto da sala escreveu-se “concordo”, “discordo”, “acordo fortemente”, “discordo fortemente”. Afirmações foram lidas e as pessoas se deslocavam na sala de acordo com suas opiniões, e um “debate” iniciava-se sobre o “por quê” das escolhas. Algumas afirmações, sempre polêmicas: “Nenhuma guerra é justificável”; “é melhor para uma criança ser criada por 2 pais, um homem e uma mulher”; ou “experiência é mais importante que educação”. Essa dinâmica causou um estresse positivo na turma, pois as opiniões eram expostas de forma BEM aberta e honesta, criando um ambiente de confiança bem interessante... comentários do tipo “eu fui criada por duas mães, e sou normal”; ou “depois de conviver dois anos no Iraque e Afeganistão ver tudo o que vi, nenhuma guerra pode se justificar” foram se tornando mais comuns. O que no começo era um debate de opiniões, como quem tenta convencer os demais do que é certo ou errado, virou um ambiente de compartilhamento de experiências próprias, algo que obviamente não se pode discordar ou concordar. Ninguém trocou de lado pela argumentação, mas muitos mudaram de opinião inspirados pelas histórias pessoais de algumas pessoas!
Depois de passar pela experiência (simulada) de participar de um chat, na terça-feira mergulhamos nas perguntas que Chat The Planet tem se feito atualmente, de crescer e alcançar novo público, se tornar global e manter-se fiel aos princípios do dialogo como ferramenta de mudança no mundo. Quinta e sexta fizemos as apresentações das idéias e propostas que os grupos tiveram, das mais geniosas às mais simples, e seguiu-se a apresentação do Plano de Negócios que a empresa fez, onde pudemos comparar nossas idéias (em 3 dias) com os planos futuros deles, Internet, mídia, rádio, e seus dilemas referentes a captação de recursos no mundo (muitas vezes sem ética) real.
Quarta-feira foi o dia de rever as lutas de boxe (vídeo) e analisar as performances e relação da luta com a vida real. Infelizmente eu fiquei em casa dormindo (no chão) devido a uma forte dor nas costas, que me atrapalhou bastante a semana toda. Agora já estou quase recuperado, mas devo consultar um médico durante a próxima semana.
Na quinta fui convidado pela Camilla e pela Sky para participar do projeto pessoal delas: remodelar a sala de aula. Nossa sala estava suja, feia e mal-organizada (mesas, etc). Projeto: passar a noite na escola, dormir na sala de aula depois de mudar tudo, e pra isso compramos comida e muito vinho, e ao som de boa música curtimos horas e horas limpando o chão, cortando revistas, colando fotos da turma e mapas nas paredes, mudando as mesas de lugar, criando um cantinho do café, e um canto criativo, com um sofá, almofadas e carpete verde. Acordamos mais cedo, compramos crossaints, bolo e fizemos um bom café da manhã para receber nossos colegas pela manhã de sexta. O clima transformou-se e o dia foi muito mais produtivo, com um pouquinho a mais de ownership adquirido...
E ao final da sexta, algo novo aconteceu na turma. Como uma equipe que está crescendo e aprendendo junto o dia-a-dia, tivemos um certo desiquilíbrio causado pelos americanos que vieram facilitar nossa semana. Ninguém os preparou para o nosso “ambiente”, nossa “cultura”. Um exemplo é que temos um acordo verbal de termos breaks freqüentes a cada 40 minutos de 5-8 minutos (o tempo de fumar um cigarro ou esticar as pernas e buscar um café). Os americanos, acostumados com o esquema tradicional de escola (americana), forçaram-nos por períodos de 1,5 hora, com breaks de 30 minutos. O resultado foram atrasos constantes no reinício das sessões, e uma turma estressada e cansada no final da sexta. Algumas pessoas como eu acompanharam o ritmo dos “professores”, sem questionar a autoridade, enquanto muitos simplesmente não prestavam atenção, ou saíam da sala. Desrespeito? Preguiça? Falta de comunicação? Vamos discutir isso numa reunião especial da equipe na próxima quarta a tarde. Liberdade é responsabilidade, e ter liberdade na escola significa assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado. Estou aprendendo isso na prática, descobrindo que essa responsabilidade deve ser compartilhada por todos, ou o nível cai, a cultura de aprendizado acaba sendo influenciada negativamente. Sacrifícios de cada parte se tornam necessários, e ainda não sabemos se precisamos ou não de regras ou apenas princípios de boa convivência...
Depois de um final de semana super tranquilo e festivo, estou com as energias recuperadas para começar a última parte do ano, o curso de Marketing e Branding. Ele começa amanhã pela manhã com uns 5-6 dias de teoria, e o resto é prática, com clientes reais com problemas reais que teremos que resolver. Saberemos quem são os clientes nessa sexta, onde teremos a chance escolher o que fazer e assim formar nosso grupo. O projeto segue até meados de dezembro, onde tudo termina na avaliação final e festa de natal. Depois, um mês de férias! Pra mim nem tanto, por falta de dinheiro, vou tentar arranjar algum trabalho nesse meio tempo.
E meu currículo já está atualizadíssimo >> Resume_HenriqueVedana_Nov2006.pdf
Diálogo, valores e liberdade
Nessa semana tivemos um cliente especial: Chat The Planet (www.chattheplanet.com). Não necessariamente se encaixava no currículo, mas teríamos a oportunidade de se envolver em um projeto focado no entendimento cultural, global, entender como a iniciativa privada pode ter alma e buscar algo positivo para o mundo, o “quarto setor” da economia, e aprender um pouco sobre a mídia televisiva, como produzir um programa de TV...
Todd e Karenne vieram de Nova Iorque para simular conosco o processo de seleção de participantes para o show de TV chamado Chat The Planet. Inicialmente produzido na África do Sul, a idéia é usar a tecnologia (vídeo-conferência) e criar diálogo entre grupos de jovens (15-25 anos) de diferentes partes do mundo, sobre temas como racismo, guerra, ativismo e sexualidade. No website www.chattheplanet.com tem clips e shows completos que podem ser assistidos (recomendo!!).
Depois de responder um questionário bem extenso com questões sobre nossa infância, relação com a família, visão sobre preconceitos e esterótipos, opinião sobre terrorismo, etc, fizemos algumas atividades na segunda-feira que realmente dividiram a turma. É bem simples, em cada canto da sala escreveu-se “concordo”, “discordo”, “acordo fortemente”, “discordo fortemente”. Afirmações foram lidas e as pessoas se deslocavam na sala de acordo com suas opiniões, e um “debate” iniciava-se sobre o “por quê” das escolhas. Algumas afirmações, sempre polêmicas: “Nenhuma guerra é justificável”; “é melhor para uma criança ser criada por 2 pais, um homem e uma mulher”; ou “experiência é mais importante que educação”. Essa dinâmica causou um estresse positivo na turma, pois as opiniões eram expostas de forma BEM aberta e honesta, criando um ambiente de confiança bem interessante... comentários do tipo “eu fui criada por duas mães, e sou normal”; ou “depois de conviver dois anos no Iraque e Afeganistão ver tudo o que vi, nenhuma guerra pode se justificar” foram se tornando mais comuns. O que no começo era um debate de opiniões, como quem tenta convencer os demais do que é certo ou errado, virou um ambiente de compartilhamento de experiências próprias, algo que obviamente não se pode discordar ou concordar. Ninguém trocou de lado pela argumentação, mas muitos mudaram de opinião inspirados pelas histórias pessoais de algumas pessoas!
Depois de passar pela experiência (simulada) de participar de um chat, na terça-feira mergulhamos nas perguntas que Chat The Planet tem se feito atualmente, de crescer e alcançar novo público, se tornar global e manter-se fiel aos princípios do dialogo como ferramenta de mudança no mundo. Quinta e sexta fizemos as apresentações das idéias e propostas que os grupos tiveram, das mais geniosas às mais simples, e seguiu-se a apresentação do Plano de Negócios que a empresa fez, onde pudemos comparar nossas idéias (em 3 dias) com os planos futuros deles, Internet, mídia, rádio, e seus dilemas referentes a captação de recursos no mundo (muitas vezes sem ética) real.
Quarta-feira foi o dia de rever as lutas de boxe (vídeo) e analisar as performances e relação da luta com a vida real. Infelizmente eu fiquei em casa dormindo (no chão) devido a uma forte dor nas costas, que me atrapalhou bastante a semana toda. Agora já estou quase recuperado, mas devo consultar um médico durante a próxima semana.
Na quinta fui convidado pela Camilla e pela Sky para participar do projeto pessoal delas: remodelar a sala de aula. Nossa sala estava suja, feia e mal-organizada (mesas, etc). Projeto: passar a noite na escola, dormir na sala de aula depois de mudar tudo, e pra isso compramos comida e muito vinho, e ao som de boa música curtimos horas e horas limpando o chão, cortando revistas, colando fotos da turma e mapas nas paredes, mudando as mesas de lugar, criando um cantinho do café, e um canto criativo, com um sofá, almofadas e carpete verde. Acordamos mais cedo, compramos crossaints, bolo e fizemos um bom café da manhã para receber nossos colegas pela manhã de sexta. O clima transformou-se e o dia foi muito mais produtivo, com um pouquinho a mais de ownership adquirido...
E ao final da sexta, algo novo aconteceu na turma. Como uma equipe que está crescendo e aprendendo junto o dia-a-dia, tivemos um certo desiquilíbrio causado pelos americanos que vieram facilitar nossa semana. Ninguém os preparou para o nosso “ambiente”, nossa “cultura”. Um exemplo é que temos um acordo verbal de termos breaks freqüentes a cada 40 minutos de 5-8 minutos (o tempo de fumar um cigarro ou esticar as pernas e buscar um café). Os americanos, acostumados com o esquema tradicional de escola (americana), forçaram-nos por períodos de 1,5 hora, com breaks de 30 minutos. O resultado foram atrasos constantes no reinício das sessões, e uma turma estressada e cansada no final da sexta. Algumas pessoas como eu acompanharam o ritmo dos “professores”, sem questionar a autoridade, enquanto muitos simplesmente não prestavam atenção, ou saíam da sala. Desrespeito? Preguiça? Falta de comunicação? Vamos discutir isso numa reunião especial da equipe na próxima quarta a tarde. Liberdade é responsabilidade, e ter liberdade na escola significa assumir a responsabilidade pelo próprio aprendizado. Estou aprendendo isso na prática, descobrindo que essa responsabilidade deve ser compartilhada por todos, ou o nível cai, a cultura de aprendizado acaba sendo influenciada negativamente. Sacrifícios de cada parte se tornam necessários, e ainda não sabemos se precisamos ou não de regras ou apenas princípios de boa convivência...
Depois de um final de semana super tranquilo e festivo, estou com as energias recuperadas para começar a última parte do ano, o curso de Marketing e Branding. Ele começa amanhã pela manhã com uns 5-6 dias de teoria, e o resto é prática, com clientes reais com problemas reais que teremos que resolver. Saberemos quem são os clientes nessa sexta, onde teremos a chance escolher o que fazer e assim formar nosso grupo. O projeto segue até meados de dezembro, onde tudo termina na avaliação final e festa de natal. Depois, um mês de férias! Pra mim nem tanto, por falta de dinheiro, vou tentar arranjar algum trabalho nesse meio tempo.
E meu currículo já está atualizadíssimo >> Resume_HenriqueVedana_Nov2006.pdf


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