Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Semana 44: Criatividade e processo criativo
Imagineering, IDEO e boxe!

A semana foi focada de forma bem intensa em ferramentas e técnicas relacionadas ao processo criativo, de forma a dar ordem ao caos e transformar a criatividade em processo construtivo e positivo, quando realizado em grupo.

Na segunda e terça feira tivemos 4 Holandeses em aula, da NHTV Universidade de Breda, com um workshop sobre Imagineering, o processo que foi popularizado nos anos 50 pelo Walt Disney e desde então usado para criação de conceitos, desde os parques temáticos da Disney até serviços de empresas aéreas. Devo admitir que o workshop foi muito rápido e os facilitadores eram bastante desorganizados, e por isso preciso praticar um pouco mais. O foco do processo Imagineering é a experiência em si, portanto a primeira etapa é sentir. A turma foi dividida em 4 grupos, 2 trabalhando em desenvolver um conceito “Como eu queria ser surdo” (I wish I was deaf), focado nos talentos e potencialidades dos surdos-mudos, e outros 2 grupos focaram-se em jornais escritos por crianças para crianças no Peru, e como fazer captação de recursos para um projeto desses aqui na Dinamarca. Como o meu grupo estava interessado nos surdos-mudos, nosso almoço na segunda-feira teve um par de tapa-ouvidos e tivemos que caminhar pela cidade, agindo como mudos-surdos, fazendo perguntas diversas às pessoas nas ruas, fazendo anotações sobre como estávamos nos sentindo, o que funcionava ou não na comunicação, nossas dificuldades e as reações das pessoas. Foi rápido, superficial mas pude perceber algumas coisas bem óbvias. Depois disso entrevistei um vizinho meu, depois do jantar, para coletar mais informações e insights de pessoas normais sobre os surdos-mudos. Cheguei a ligar para casa e conversar com a minha mãe, pois ela trabalha nos Correios, o maior empregador de deficientes no Brasil, onde os surdos-mudos têm papel bem importante, devido a capacidade de concentração e atenção em locais barulhentos, como garagem de caminhões e em meio a máquinas de separação de correspondências. Na terça-feira continuamos com o brainstorming de idéias e criação do conceito “The Power of Silence”. A apresentação não foi muito boa mas valeu a pela a experiência. Tanto o projeto sobre as crianças no Peru (chamado Pasa La Voz) quanto os surdos-mudos (organização baseada em Roterdã chamada SkyWay) será expandido na Dinamarca, com ajuda dos KaosPilots que se interessaram em continuar o projeto “extra-curricularmente”.

Quarta-feira, grande dia! Tudo começou com a cidade branca, temperatura de 2 graus negativos, depois de uma frente polar que chegou na madrugada e trouxe neve em pleno 1 de novembro (não é comum aqui nevar tão cedo). Com dificuldades chegamos no ginásio de boxe onde as lutas aconteceriam. Todos subimos ao ringue. Minha luta com o Nicklas foi uma experiência inesquecível. Por causa da adrenalina, eu estava super cansado em 1 minuto de luta, as lutas pesavam e era difícil manter a guarda. Como nós dois somos fracotes e estávamos com proteção, os socos não chegavam a machucar, mas a luta foi séria durante os 6 minutos (3 rounds). Meus movimentos mais lembravam capoeira e nossa velocidade em correr pelo ringue foi empolgante pra platéia (embora pra mim aquilo fosse tudo em câmera lenta). No final analisamos a luta e nossas reações no próprio ringue e depois fomos para uma sala com o coach para repensar a luta e fazer as conexões com o mundo real, com nosso plano de desenvolvimento e com o dia-a-dia na escola. Um ponto que fez total sentido para mim é a definição de regras claras, tanto na luta (entre eu e o Nicklas) quanto num projeto ou equipe. Uma vez definidas as regras, não tem desculpas, não tem “amolecer”, é “bater” e jogar sério, e os feedbacks na equipe (por exemplo criticar abertamente quando um colega chega atrasado ou não desempenha o papel corretamente) fazem parte do dia-a-dia. Tal como um soco no estômago, machuca, mas faz parte do jogo e é plenamente ético. Falta de ética aqui é bater quando o oponente está machucado, ou caindo, na vida real é criticar pelas costas, é usar de falsas verdades, e fugir das responsabilidades. As fotos da luta ficaram fantásticas e nessa semana assistiremos a filmagem de cada luta, analisando “de fora” nossa performance.

Veja algumas fotos das lutas aqui:
http://flickr.com/photos/kpteam13/sets/72157594357839887/

Na quinta e sexta-feira tivemos aula facilitada pelo nosso team manager Kasper, sobre o método adotado pela IDEO (www.ideo.com), provavelmente a maior empresa de design no mundo, e a mais premiada e prestigiada. O processo criativo desenvolvido por eles e melhorado nos últimos 25 anos permite que a criatividade e inovação seja “canalizada” e potencializada de uma forma organizada e estruturada. Nosso projeto dessa vez era criar novas embalagens para uma rede de fast-food saudável e ambientalmente responsável que está se espandindo na Dinamarca. Nosso almoço na quinta-feira incluiu percorrer diferentes fast-foods e as ruas de Århus com uma Polaroid na mão e registrar as experiências das pessoas, fazendo observações e entendendo o problema. Depois de muitas observações, insights, um pouco de teoria e muitas técnicas, apresentamos os resultados na sexta a tarde. Entendi que o processo criativo deve ser conduzido dentro de regras bem claras e comunicadas, com etapas bem delimitadas e um facilitador bem competente. Dentro desse ambiente pseudo-rígido, e com as pessoas certas, a criatividade e inovação podem aflorar e crescer, de forma a atingir resultados não esperados (muito acima das expectativas). Dentro de algumas semanas estaremos iniciando um novo projeto real e longo (7 semanas), em marketing e branding, e espero poder usar todas essas técnicas de Imagineering e da IDEO.

Enquanto isso decobri que não fui selecionado para o projeto de Diálogo sobre Conflitos e portanto não vou para San Francisco em Fevereiro. Parece que sou muito velho comparado com estudantes de outros países, que têm idade entre 17 e 21 anos...

Essa semana (semana 45) entraremos num projeto que parece ser estupidamente genial, chamado Chat the Planet (www.chattheplanet.com), cuja idéia é usar a tecnologia de video-conferências e criar chats (diálogos) entre grupos de jovens de diferentes partes do mundo, sobre questões polêmicas e antagônicas. A conversa pode ser entre jovens dos EUA e jovens do Iraque, falando sobre a guerra. Outra conversa pode ser entre jovens da Africa do Sul e jovens de Nova Iorque, falando sobre racismo. Teremos uma equipe de TV filmando e a idéia é criar um “hub” aqui em Århus, aqui na Kaos Pilots. Pelo questionário que tive que responder nesse final de semana, creio que o tema será imigrantes, preconceitos e família (com jovens Turcos e Marroquinos??). Estou curioso pra ver!

1 Comments:

Blogger Sérgio said...

Que espetáculo esse blog, Vedana. Continua na escrita que tenho certeza que vem muita coisa boa por aí.

09/11/2006 18:07:00  

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