Semana 43 (23-27 de Outubro 2006): Comunicação
Cultura do grupo, Boxe e Música
Retornamos depois de uma semana de descanso, conhecido como “feriado da batata”. Antigamente, os estudantes tinham uma semana de folga em outubro, para ajudar as suas familias na colheita da batata, produto básico na culinária Dinamarquesa. Hoje isso não acontece mais, mas o nome e os dias de folga continuam :)
Na segunda-feira tivemos uma conversa com Christer, o novo "CEO" da Kaos Pilots. Na conversa pudemos entender melhor as mudanças que a escola está passando e o futuro sendo desenhado, a partir de uma reavaliação das tendências hoje no mundo. Um rascunho das idéias está disponível aqui. Qualquer pessoa na escola, aluno, funcionário, professor, conselheiro, pode dar idéias e opiniões pois o documento está em permantente mudança, em construção.
Ainda na segunda, um dos gestores da turma (temos dois: Simon e Kasper) facilitou uma conversa na turma sobre a “nossa educação”. Na escola não existem regras pre-definidas, e portanto a não existência de regras deixa muitos em situação desconfortável, e dentro de cada grupo (turma), as regras surgem, implícitas ou explícitas. No nosso caso estamos aprendendo a lidar com laptops na sala de aula (distração? MSN, e-mails? Tomar notas, pesquisa?), com breaks e pontualidade. E depois de dois meses juntos, surge o ímpeto em “elevar o nível” - agora já nos conhecemos superficialmente, já bebemos juntos, já fizemos festa, então vamos começar a falar de coisas mais sérias e relevantes para o nosso futuro). Mais importante e dífícil, encontrar uma situação de conforto para os 35 da turma, de forma auto-organizada. Foi decidido que vamos continuar tendo conversas de avaliação do grupo a cada duas semanas, e estar atentos ao ambiente e às pessoas ao redor.
Na terça tivemos um workshop com a consultoria FightKlub.dk, que usa boxe como um elemento de desenvolvimento pessoal, de auto-controle, balanço pessoal, auto-confiança e exercício dos limites mentais usando o corpo. Resumindo a história, depois de fazermos uma fantástica conversa franca em grupos sobre nossas fraquezas e fortalezas individuais (compartilhar uma "análise SWOT" de si próprio), tivemos que escolher um parceiro para lutar na próxima semana. No ringue. Pudemos escolher também luta técnica, proteção total ou luta real (apenas capacete, lutas e proteção dos dentes), e definir caso a caso as regras (vale ou não soco na cara, entre outras coisas engraçadas como tomar uma cerveja depois da luta, etc). Vou lutar contra o Nicklas, que além de ser tão magro quanto eu, mesma altura, é uma das pessoas com quem mais me conectei aqui. É um paradoxo na minha cabeça pacifista, que fico curioso pra saber o que vai acontecer. Serão 6 minutos de luta em 3 rounds de 2 minutos cada, com 1 minuto de intervalo. Será tudo filmado e posteriormente avaliado. Algumas pessoas se declararam incapazes de lutar, mas apenas uma dupla escolheu luta técnica...
Entre quarta e sexta, tivemos um workshop com Janne Wind, cantora lírica e coach de técnica vocal, postura, respiração e um monte de coisas, entre elas, auto-confiança. Em paralelo, tivemos um curso-rápido de KeyNotes/Powerpoint/NeoOffice e tivemos que fazer uma apresentação usando os recursos visuais desses programas.
Além de cantar em grupo e aprender diversos truques de respiração, postura, relaixamento, energização e concentração, aprendemos muito sobre nossos próprios limites. Cada um deveria escolher um objetivo para os três dias (que foi sendo moldado a cada manhã). O meu era ser capaz de controlar meu corpo, manter a calma enquanto eu falo ou canto. Aliás, nunca cantei na minha vida, nem no chuveiro! Aprendi que minhas “vozes internas” são muito poderosas e que preciso lidar com elas, conversar com elas, e esquecê-las. Por causa da AIESEC, me acostumei a falar para pequenos e grandes grupos, de estudantes ou de empresários, mas embora minha voz transmitisse confiança (eu sinto isso), meu corpo trava, como se estivesse em situação de perigo, com a adrenalina bombando.
E não é que consegui cantar, com segurança suficiente? Aprendi que a energia necessária para falar em público, cantar e conectar-se com a audiência, de forma a emocioná-los (seja numa negociação ou música...) flui do corpo, e não das cordas vocais. Algumas técnicas para manter o meu corpo fixo ao chão, desviando a minha atenção das vozes internas para meus pés, fizeram milagres ;-)
Mas eu não estava sozinho, e outros milagres aconteceram, mesmo para aqueles que cantavam (alguns colegas tem bandas de punk rock, outros cantam e tocam violão desde criança, outros já cantaram ópera!). A mudança e o impacto era impressionante. E muito disso graças ao grupo, que começa a transpirar confiança e carinho uns pelos outros, da mesma forma que uma família demonstra pela criança que está crescendo. Freire já falava da importância do emocional e do ambiente positivo na Educação. Eu vejo acontecendo na turma na Kaos Pilots o que sempre sonhei na AIESEC que acontecesse em um comitê local, onde um grupo de indivíduos mantém um nível de confiança e carinho que transmite segurança para qualquer um arriscar, tentar, inovar, ir além dos seus limites, extender sua zona de conforto, crescer, sem ter medo ou vergonha de se expor.
E na avaliação final das lições com música, a conexão com o boxe foi lembrada, onde nossos limites (em outro nível) estarão sendo testados – com adrenalina, com violência, com o corpo, mas dentro de um ambiente “seguro” e confiável.
No meio disso tudo surgiu uma oportunidade para participar de um ciclo de diálogo sobre resolução pacífica de conflitos no mundo, preparatórios para o Forum Mundial Facing Violence. Cinco grupos de jovens de 5 países diferentes estará envolvido, e o grupo da Dinamarca será da Kaos Pilots. “Se” escolhido pro grupo (sou um pouco “velho”), estarei viajando pra São Francisco em Fevereiro!
Nessa semana (semana 44) o foco é criação e processo criativo, com um workshop em Imagineering, um processo popularizado nos anos 50 pelo Sr. Walter Elias Disney. E é claro, teremos as lutas de boxe na quarta-feira!
Cultura do grupo, Boxe e Música
Retornamos depois de uma semana de descanso, conhecido como “feriado da batata”. Antigamente, os estudantes tinham uma semana de folga em outubro, para ajudar as suas familias na colheita da batata, produto básico na culinária Dinamarquesa. Hoje isso não acontece mais, mas o nome e os dias de folga continuam :)
Na segunda-feira tivemos uma conversa com Christer, o novo "CEO" da Kaos Pilots. Na conversa pudemos entender melhor as mudanças que a escola está passando e o futuro sendo desenhado, a partir de uma reavaliação das tendências hoje no mundo. Um rascunho das idéias está disponível aqui. Qualquer pessoa na escola, aluno, funcionário, professor, conselheiro, pode dar idéias e opiniões pois o documento está em permantente mudança, em construção.
Ainda na segunda, um dos gestores da turma (temos dois: Simon e Kasper) facilitou uma conversa na turma sobre a “nossa educação”. Na escola não existem regras pre-definidas, e portanto a não existência de regras deixa muitos em situação desconfortável, e dentro de cada grupo (turma), as regras surgem, implícitas ou explícitas. No nosso caso estamos aprendendo a lidar com laptops na sala de aula (distração? MSN, e-mails? Tomar notas, pesquisa?), com breaks e pontualidade. E depois de dois meses juntos, surge o ímpeto em “elevar o nível” - agora já nos conhecemos superficialmente, já bebemos juntos, já fizemos festa, então vamos começar a falar de coisas mais sérias e relevantes para o nosso futuro). Mais importante e dífícil, encontrar uma situação de conforto para os 35 da turma, de forma auto-organizada. Foi decidido que vamos continuar tendo conversas de avaliação do grupo a cada duas semanas, e estar atentos ao ambiente e às pessoas ao redor.
Na terça tivemos um workshop com a consultoria FightKlub.dk, que usa boxe como um elemento de desenvolvimento pessoal, de auto-controle, balanço pessoal, auto-confiança e exercício dos limites mentais usando o corpo. Resumindo a história, depois de fazermos uma fantástica conversa franca em grupos sobre nossas fraquezas e fortalezas individuais (compartilhar uma "análise SWOT" de si próprio), tivemos que escolher um parceiro para lutar na próxima semana. No ringue. Pudemos escolher também luta técnica, proteção total ou luta real (apenas capacete, lutas e proteção dos dentes), e definir caso a caso as regras (vale ou não soco na cara, entre outras coisas engraçadas como tomar uma cerveja depois da luta, etc). Vou lutar contra o Nicklas, que além de ser tão magro quanto eu, mesma altura, é uma das pessoas com quem mais me conectei aqui. É um paradoxo na minha cabeça pacifista, que fico curioso pra saber o que vai acontecer. Serão 6 minutos de luta em 3 rounds de 2 minutos cada, com 1 minuto de intervalo. Será tudo filmado e posteriormente avaliado. Algumas pessoas se declararam incapazes de lutar, mas apenas uma dupla escolheu luta técnica...
Entre quarta e sexta, tivemos um workshop com Janne Wind, cantora lírica e coach de técnica vocal, postura, respiração e um monte de coisas, entre elas, auto-confiança. Em paralelo, tivemos um curso-rápido de KeyNotes/Powerpoint/NeoOffice e tivemos que fazer uma apresentação usando os recursos visuais desses programas.
Além de cantar em grupo e aprender diversos truques de respiração, postura, relaixamento, energização e concentração, aprendemos muito sobre nossos próprios limites. Cada um deveria escolher um objetivo para os três dias (que foi sendo moldado a cada manhã). O meu era ser capaz de controlar meu corpo, manter a calma enquanto eu falo ou canto. Aliás, nunca cantei na minha vida, nem no chuveiro! Aprendi que minhas “vozes internas” são muito poderosas e que preciso lidar com elas, conversar com elas, e esquecê-las. Por causa da AIESEC, me acostumei a falar para pequenos e grandes grupos, de estudantes ou de empresários, mas embora minha voz transmitisse confiança (eu sinto isso), meu corpo trava, como se estivesse em situação de perigo, com a adrenalina bombando.
E não é que consegui cantar, com segurança suficiente? Aprendi que a energia necessária para falar em público, cantar e conectar-se com a audiência, de forma a emocioná-los (seja numa negociação ou música...) flui do corpo, e não das cordas vocais. Algumas técnicas para manter o meu corpo fixo ao chão, desviando a minha atenção das vozes internas para meus pés, fizeram milagres ;-)
Mas eu não estava sozinho, e outros milagres aconteceram, mesmo para aqueles que cantavam (alguns colegas tem bandas de punk rock, outros cantam e tocam violão desde criança, outros já cantaram ópera!). A mudança e o impacto era impressionante. E muito disso graças ao grupo, que começa a transpirar confiança e carinho uns pelos outros, da mesma forma que uma família demonstra pela criança que está crescendo. Freire já falava da importância do emocional e do ambiente positivo na Educação. Eu vejo acontecendo na turma na Kaos Pilots o que sempre sonhei na AIESEC que acontecesse em um comitê local, onde um grupo de indivíduos mantém um nível de confiança e carinho que transmite segurança para qualquer um arriscar, tentar, inovar, ir além dos seus limites, extender sua zona de conforto, crescer, sem ter medo ou vergonha de se expor.
E na avaliação final das lições com música, a conexão com o boxe foi lembrada, onde nossos limites (em outro nível) estarão sendo testados – com adrenalina, com violência, com o corpo, mas dentro de um ambiente “seguro” e confiável.
No meio disso tudo surgiu uma oportunidade para participar de um ciclo de diálogo sobre resolução pacífica de conflitos no mundo, preparatórios para o Forum Mundial Facing Violence. Cinco grupos de jovens de 5 países diferentes estará envolvido, e o grupo da Dinamarca será da Kaos Pilots. “Se” escolhido pro grupo (sou um pouco “velho”), estarei viajando pra São Francisco em Fevereiro!
Nessa semana (semana 44) o foco é criação e processo criativo, com um workshop em Imagineering, um processo popularizado nos anos 50 pelo Sr. Walter Elias Disney. E é claro, teremos as lutas de boxe na quarta-feira!
What would you do if I sang out of tune
Would you stand up and walk out on me...
Lend me your ears and I will sing you a song
And I'll try not to sing out of key...
Would you stand up and walk out on me...
Lend me your ears and I will sing you a song
And I'll try not to sing out of key...


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